Sobre bebês, crianças pequenas e a Tecnologia
- Julieta Jerusalinski
- 22 de abr. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 1 de ago. de 2022
Por Julieta Jerusalinsky
O que acontece com o Sujeito na era das intoxicações eletrônicas, que fica exposto a centenas de imagens por dia? que tempo e lugar tem para poder contemplar, evocar suas vivências e alinhavar seu pensamento, conversando com outros, para tecer o saber-fazer da vida? O que ocorre com os cuidados que dirigimos a bebês e crianças e com os modos de transmitirmos e compartilharmos nossas experiências quando adultos passam a deixar a criança só com uma tela virtual? Os cuidados de bebês passam a ser exercidos de forma cada vez mais isolada, não só da família extensa, mas também de um coletivo da calçada, da rua, da vizinhança, na medida em que a cultura do medo isola cada um dentro de sua casa. Ao mesmo tempo, os adultos estão cada vez mais ocupados e, assim, a tela virtual é entregue na mão dos pequenos com a ilusão de que ela poderia estimular a inteligência por meio de jogos virtuais ou videos "para bebês". Mas o que acontece quando um bebê tem seu sistema perceptivo sobrecarregado de imagens e palavras dissociadas de seu contexto e entorno de vida? quando o celular ocupa o lugar de brincadeiras conjuntas, de circular pelo espaço e de explorar os objetos que o rodeiam - acontecimentos por meio dos quais um bebê se constitui psiquicamente e se apropria do seu corpo na relação com os outros, dando sentido às suas incipientes palavras, gestos e movimentos que ganham sua significação a partir de uma transmissão não anônima sustentada pelos adultos afetivamente implicados em seus cuidados. Assim chegam bebês que, em lugar de se interessarem por olhar para os outros, ficam siderados pelo brilho das telas. Que perto dos 18 meses dizem algumas palavras em inglês sem que sua família seja estrangeira, mas que carecem de qualquer endereçamento aos demais,que deslizam os dedinhos nos livros como se fossem i-pads ,ou ainda, que apresentam importantes dispraxias ( dificuldades de organizar os atos motores, com falhas na ideação , planejamento e execução) por falta de experiência sensório-motora. Por isso, mais do que pensarmos quantas horas por dia é recomendável ficar com o celular:no lugar do que isso está?




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